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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Entrevistas (III)


Sábado, 20 de Junho de 2009

Entrevista de Luís Filipe Vieira ao Jornal "A BOLA"



Entrevista de José Manuel Delgado

José Eduardo Moniz referiu-se ontem a uma troca de sms que teve consigo, depois do jogo da Académica...

— É verdade que houve esse sms, por acaso num jogo em que o Benfica foi altamente prejudicado, como todos se lembram. Mas já que ele revelou essa troca de sms, isso deixa-me à vontade para revelar uma conversa que tivemos em 2003, em que eu lhe chamei a atenção para o facto de ele estar com 31 anos de quotas em atraso, desde 1972. A responsabilidade de qualquer sócio é ter as quotas em dias. E para quem assume a ambição de ser presidente deste clube, não fica bem ter estado durante 31 anos sem cumprir com o Benfica uma das suas primeiras obrigações.

— Moniz falou em golpe estatutário, que comentário lhe merece?

— Devo dizer-lhe que os Órgãos Sociais do Clube vão equacionar o que é que vão fazer. Uma coisa é algumas pessoas sem peso, nem responsabilidade, terem usado essa palavra — que tem uma evidente carga negativa — outra é José Eduardo Moniz. Vamos ponderar aquilo a fazer, na certeza de que cumprimos com os estatutos e defendemos os interesses do Benfica.

— Outra das razões invocadas por Moniz foi a de desconhecer a situação financeira do Benfica?

— Isso nem sequer é um argumento é uma insinuação de má fé. O Benfica tem as suas contas auditadas, apresenta resultados consolidados, aliás é o único clube a fazê-lo. Portanto, a nossa situação financeira é conhecida de todos quantos se interessam por isso. E é, não tenho dúvidas, seguramente melhor que a situação financeira da TVI nesta altura.

— Ficou surpreendido com esta posição de José Eduardo Moniz?

— Não, há mais de dois meses que já sabia destas movimentações. Mas já agora gostava de deixar aqui algumas perguntas a José Eduardo Moniz: como é que iria trazer capital para o Benfica sem vender a SAD? O que é que pensaria fazer aos direitos televisivos do Benfica? E, finalmente que garantia editorial é que ele pode dar em relação à cobertura da TVI, não só na campanha, como depois dela, de toda a realidade do Benfica? Quando ele responder a estas questões, as pessoas vão perceber quais eram os reais interesses dessa candidatura!

RAZÕES QUE LEVARAM A ELEIÇÕES ANTECIPADAS

— O que o levou a propor aos Órgãos Sociais do Benfica que criassem condições para que as eleições fossem antecipadas para três de Julho?

— Limitei-me a acompanhar uma discussão eleitoral que arrancou completamente fora de tempo e que, evidentemente, não era saudável, a nível institucional, manter esta situação até Outubro. Acho que é compreensível que quem está à frente do clube, e depois de três meses a ler e a ouvir críticas de um grupo de pessoas que se constituiu em movimento, entendesse que não podia passar mais quatro meses na mesma situação. Foi por isso que decidi clarificar a situação dando a palavra aos sócios! Acho que foi a atitude mais correcta. No Benfica não temos um regime totalitário em que aniquilamos a oposição, ou um regime monárquico em que o presidente designa o seu sucessor. O Benfica é o clube mais democrático em Portugal.

— A que se deve a sua decisão de avançar para um terceiro mandato?

— A avaliação do trabalho realizado e a convicção de que posso continuar a consolidar tudo quanto foi feito. Podem ter a certeza de que, se da avalização que fiz, entendesse que já não tinha mais nada para acrescentar, não seria candidato. A consolidação do clube esta feita, agora começa a ser o tempo de tirar os dividendos das estruturas que foram criadas durante todos estes anos.

— Como viu, a sua família, esta decisão, que vai mantê-lo debaixo de todos os holofotes?

— Não posso dizer que tenha ficado particularmente agradada com a ideia. Além do tempo que o desempenho destas funções retira à família, há uma exposição excessiva na Comunicação Social. Felizmente, também compreenderam que tudo quanto foi feito para trás necessita de ter continuidade, mas é evidente que vão sair prejudicados.

— Chegou ao Benfica na equipa de Manuel Vilarinho, há oito anos, qual era o estado do Benfica?

— Infelizmente, noto que há muitas pessoas que já não conseguem lembrar-se do estado a que o Benfica chegou há oito anos. Estamos a falar de um clube em processo de auto-destruição. modalidades em via de desaparecimento, a formação completamente abandonada, processos judiciais que nunca mais acabavam (aliás ainda hoje estamos a resolver alguns desses processos), zero de credibilidade a nível nacional e internacional. Enfim, o caos absoluto. Acho que, como disse durante a apresentação da minha candidatura, se pudéssemos fazer uma viagem no tempo, ficaríamos espantados com a diferença. Só assim é que as pessoas entenderiam tudo o que foi feito neste período.

RUI COSTA, JORGE JESUS E O FUTEBOL

— Está satisfeito com as duas grandes opções que tomou relativamente a Rui Costa, primeiro fazendo-o regressar à Luz e depois tornando-o director desportivo e administrador da SAD?

— Sem dúvida, quer como jogador, quer como director desportivo é um valor acrescentado do Benfica. O seu conhecimento, a sua dedicação e o seu empenho ao serviço do clube vão começar, muito em breve, a ser recompensados. Trabalhamos diariamente em equipa e não tenho dúvidas em relação ao seu futuro!

— Mas como tem sido trabalhar durante este primeiro ano com Rui Costa?

— Devo confessar que teve um processo de aprendizagem à nova realidade muito rápido. Trabalhamos diariamente em equipa e as decisões são assumidas dessa forma. Ele ganhou dentro de campo e sabe quais são as condições que são necessárias para garantir o sucesso. É nisso que estamos a trabalhar!

— Se um quiser seguir um rumo e o outro um rumo diferente, quem prevalece?

— Prevalece o Benfica, mas não tem acontecido!

— Crê que desta vez estão a ser criados os mecanismos capazes de levar o Benfica ao título?

— Creio que mais do que levar o Benfica ao título, sinto que estão criadas as condições para ganhar de forma regular. Não nos interessa ganhar uma vez e voltar a passar vários anos longe dos títulos. As condições estão criadas para podermos aspirar a ganhar durante vários anos consecutivos.

— Voltando ao futebol: Luisão, Di María e Katsouranis são para sair? Quem mais, além de Patric, Ramires e Schaffer se perfila no horizonte benfiquista.

— Vou dar uma resposta geral. O nosso objectivo é manter uma equipa forte que nos permita lutar pelos títulos nas várias competições. Não estamos vendedores, a não ser que alguém avance com as cláusulas de rescisão previstas.

— Quem vai faltar para dia 29 de Junho Jorge Jesus poder começar a preparar a época?

— Não vai faltar ninguém. Vamos ter uma equipa competitiva e que seguramente vai cumprir aquilo que esperamos dela.

— Das conversas com Rui Costa e Jesus, que lugares há a preencher no plantel de 2009/10?

— Não vai haver grandes mexidas, mas prefiro que seja o Rui Costa e Jorge Jesus a explicarem, no tempo em que entenderem conveniente, o plantel do próximo ano. A única certeza é que vamos ter uma equipa competitiva que vai tentar para ganhar as competições em que entrar.

— Jesus, um português (e só Fernando Cabrita, Mário Wilson e Toni foram treinadores portugueses campeões no Benfica...) é a aposta certa?

— Tem o perfil que definimos como desejado para assumir o comando técnico da equipa. Tem provas dadas, vive o futebol de manhã à noite, é ambicioso, trabalhador e conhece bem o nosso futebol. É um treinador em quem acreditámos, em quem depositamos grandes esperanças, de outra forma não estaria aqui!

— Como reage quando dizem ou escrevem que o Benfica é um cemitério de jogadores?

— Poucos têm a noção da pressão diária que as pessoas que trabalham no Benfica sentem. A única resposta que posso dar a essa pergunta é que quando se ganha é mais fácil garantir estabilidade. Lembro-me que num ano o FC Porto contratou três treinadores: Del Neri, Fernandez e José Couceiro e ninguém falou de cemitério ou urgência hospitalar. A estabilidade garante-se ganhando, mas também é bom recordar que neste percurso houve alguns treinadores que saíram por vontade deles e não do clube. O caso Cissokho é um bom exemplo da diferença de tratamento e da pressão mediática que o Benfica sofre. Se aquilo que sucedeu com o Cissokho tivesse acontecido com o Benfica, o caso tinha tido um destaque que não teve e teria sido uma novela que iria durar dias. Não se viu nada disso!

— Fez um bom acordo com o Sp. Braga, por Jesus?

— Fizemos o acordo que tinha de ser feito.

— Reyes, fica, vai, qual é o ponto da situação?

— O Rui Costa já o disse, é um jogador de muita qualidade, mas os tempos que vivemos obrigam a ter a noção exacta de que não podemos comprometer o nosso equilíbrio orçamental. Se for possível conciliar estas duas verdades, então podemos pensar nisso.

— O Benfica pode continuar sem entrar no clube da Champions?

— Não, o Benfica não pode continuar a ficar fora da Liga dos Campeões. Ficar fora deve ser a excepção, a regra deve ser estar sempre presente.

— A Liga Sagres de 2009/2010 vai ser mais competitiva, com um Sporting mais apetrechado e um FC Porto preparado para comprar quem lhe aprouver?

— Essencialmente espero que o Benfica seja competitivo!

— Como vê o momento da arbitragem em Portugal?

— Não quero falar de arbitragem, apenas desejar que no próximo ano haja menos erros de arbitragem comparativamente com os que houve este ano e, já agora, espero que quando houver erros eles sejam melhores distribuídos entre os três grandes. Este ano, infelizmente, o Benfica foi aquele que foi mais penalizado. Mas isso nem sequer é uma novidade.

SEIS ANOS NA PRESIDÊNCIA

— O que mudou durante os seus seis anos de presidência?

— Não me tenho cansado de repetir que o valor fundamental que foi recuperado durante este tempo foi a credibilidade do clube. Depois investimos nas infra-estruturas e, nesse capítulo, a decisão de avançar para a construção do novo estádio foi determinante, porque foi à volta dele que os benfiquistas voltaram a acreditar que era possível voltar a ter um Benfica sério, ganhador, credível, enfim, voltar ao antigamente. Depois das infra-estruturas voltámos a apostar na formação e nas modalidades, estruturamos o clube de forma profissional, recuperámos o valor da marca e, mais recentemente, lançámos a Benfica TV. Creio que poderia ficar a falar durante mais algum tempo, mas não vale a pena. A obra está a vista de todos.

— O que falta mudar?

— Basicamente falta começar a obter resultados de forma regular, principalmente no futebol. Sou o primeiro a reconhecer isso, mas é bom que fique claro que nunca enganei ninguém. Quando assumi a presidência do clube, sempre disse que se tivesse de começar por algum lado iria começar pela estabilidade económica. Foi isso que fizemos. Agora, é evidente que é o futebol que tem maior exposição e nesse sentido vamos ter de ganhar mais vezes e de forma continuada.

— Que prioridades estratégicas para os próximos três anos, caso vença as eleições?

— A prioridade para os próximos três anos passa por consolidar o projecto desportivo, recuperar a nossa tradição vencedora. Esse é o principal objectivo. É bom não esquecer que fizemos investimentos de cerca de 250 milhões de euros em infra-estruturas, isso está feito. Temos, agora, de retirar os proveitos desse investimento. Não escondo que nos próximos três anos também gostaria de fazer o museu, avançar para o nosso centro documental de forma a cuidar da nossa história. Mas, como disse no início, a principal prioridade passa por investir no projecto desportivo.

PASSIVOS ACTIVOS

E OUTRAS CONTAS

— É preocupante a SAD ter apresentado um prejuízo de 18 milhões de euros?

— O preocupante é quando somos apanhados de surpresa, o que não foi o caso. É uma situação que se inverte se decidirmos vender um ou dois jogadores, mas neste momento estamos mais preocupados em manter e reforçar uma equipa que seja competitiva e que aponte para os objectivos que queremos alcançar! Mas, de qualquer maneira, o que está no balanço não reflecte a valorização dos nossos activos. Sabe em quanto é que está avaliado o nosso plantel? Sessenta milhões. Acha que o plantel vale apenas isso? Claro que não. O Luisão, por exemplo, está avaliado apenas em dois milhões. Mas isto é um problema que não afecta apenas o Benfica, afecta igualmente o Porto e o Sporting. Bastaria fazer uma reavaliação e a situação seria totalmente diferente. Aliás, houve um ex-presidente que para disfarçar as contas fez isso. Mas dessa vez reavaliou o plantel por valores muito superiores ao que efectivamente valia.

— Está a falar de Vale e Azevedo?

— Não, nada disso. Esse pelo menos assumia os buracos às claras!

— Manuel Damásio?

— Não vou entrar por ai. Podem investigar...

— Portanto, deduzo que não está preocupado com o passivo?

—O passivo tem variado, em termos consolidados, tem variado entre os 300 e os 320 milhões, mas a nível do investimento feito em infra-estruturas, como já disse atrás, foram cerca de 250 milhões de euros (estádio, centro de estágio, Benfica TV). É importante que as pessoas percebam que estas infra-estruturas constituem os principais activos do clube. Quando comprámos uma casa e pedimos dinheiro emprestado ao banco, o nosso passivo aumenta, mas isso não significa que fiquemos mais pobres porque o nosso património também aumentou! É o que acontece com o Benfica, ao passivo que temos corresponde um activo patrimonial elevado.

BENFICA TV E DIREITOS TELEVISIVOS

— A Benfica TV virou de pés para o ar o panorama dos clubes. O próximo mandato será dedicado a rentabilizar, devidamente, por antecipação, os jogos da equipa principal de futebol, vendidos, à Olivedesportos até 2013?

— Em primeiro lugar, devo dizer que a Benfica TV superou as nossas melhores expectativas e, hoje em dia, já ninguém consegue conceber o Benfica sem a sua televisão. Orgulho-me de ter avançado com a Benfica TV, dos seus resultados nestes seis meses de vida e no grau de inovação que representou a nível nacional. Quanto aos direitos televisivos, vamos honrar um contrato que foi assinado numa conjuntura difícil, em que era necessário garantir alguma liquidez financeira. O contrato termina em 2013 e esse será o tempo certo para renegociar esses direitos.

— A chave está no que é actualmente pago em direitos televisivos?

— Sem dúvida, os nossos direitos televisivos, como já disse, valem muito mais. E essa negociação vai ser feita quando chegar o tempo.

— Como classifica a sua relação com Joaquim Oliveira?

— Boa, temos uma relação pessoal e uma relação institucional. Sabemos separar as coisas. Cada um defende a sua instituição da melhor forma que sabe. A amizade não interfere com a defesa dos interesses das instituições que representamos e ele sabe que é assim.

— E a relação entre o Benfica e a Olivedesportos?

— Já disse, é uma relação seria. Dentro de quatro anos vamos ter de renegociar o valor dos direitos televisivos.

— É nos escassos direitos televisivos que reside a razão para o fosso cada vez maior entre Portugal e o resto da Europa Ocidental?

— É evidente que, na realidade que vivemos hoje, os direitos televisivos agravam essa diferenciação. Recordo que em Nápoles, quando do primeiro jogo da UEFA este ano, fiquei a saber que o Nápoles recebe por ano mais de 40 milhões de euros. Assim é difícil combater os argumentos financeiros dos clubes espanhóis, ingleses ou italianos.

— Para quando a Benfica TV na plataforma ZON?

— Quando for encontrada uma plataforma financeira que defenda suficientemente os interesses do Benfica.

A ÉPOCA DE 2008/09 E AS DESILUSÕES INESPERADAS

— Desportivamente, como classifica esta época, não só no futebol, mas na globalidade do clube?

— A nível do futebol é claro que esperava mais. Houve progressos a nível estrutural, mas ficámos aquém das expectativas. Já no capítulo das modalidades e do futebol de formação penso que os resultados foram muito positivos. Os títulos nas camadas de formação (iniciados, que já não ganhávamos há 20 anos), o título de basquetebol que já não ganhávamos há 14 anos, são sinais de que estamos a inverter a tendência destes últimos 15 anos. Por outro lado, não deixa de ser encorajador ver o número de jogadores do Benfica que integram as selecções jovens. É sinal de que o nosso trabalho começa a dar resultados.

— Quanto ao futebol, com este plantel esperava mais?

— Não o escondo, mas temos de ter mais alguma paciência. É evidente que não foi pela falta de um bom plantel que a equipa não foi mais longe. Já fizemos essa análise, houve coisas positivas que foram feitas, mas naturalmente houve aspectos em que falhámos e isso vamos ter de corrigir…

— Qual foi o principal pecado de Quique Flores?

— Não se trata de nenhum pecado, mas talvez não se tenha adaptado à realidade do futebol português. Mas quero deixar aqui bem claro o apreço que tenho pelo trabalho que foi desenvolvido. Houve aspectos positivos que merecem ser destacados, o que não impediu que as partes chegassem à conclusão de que não havia margem de progressão e daí o acordo alcançado.

— Não acha que ao Benfica não servem jogadores que não percebem a grandeza do clube?

— Ao Benfica não servem nem jogadores, nem treinadores, nem funcionários que não percebem a grandeza do clube ou que não trabalham aquilo que deviam trabalhar. Esta camisola tem de ser sentida e honrada. Para mim honrar esta camisola significa dar tudo o que se tem e o que não se tem.

A GUERRILHA

ANUNCIADA

— Quando decidiu partir para eleições antecipadas, o que o moveu? A consciência de que o Benfica ia entrar em clima de guerrilha até Dezembro?

— Já o disse atrás, não é saudável para nenhum clube manter uma discussão eleitoral durante sete ou oito meses. As pessoas tem legitimidade para discordar, para criticar, têm legitimidade para apresentar projectos alternativos, para se constituir em movimento e, portanto, a única coisa que fiz foi encurtar essa discussão. Tenho ouvido durante estes dias muita coisa, mas confesso que tenho dificuldades em ouvir algumas pessoas que já estão em campanha há mais de quatro meses, que já fizeram a peregrinação pelos bancos há mais de um mês e meio, continuarem a falar em falta de tempo!

— Alguns movimentos de oposição congregam pessoas que, em comum, só têm as críticas que lhefazem...

— O problema não são as críticas. O meu mandatário não é uma pessoa alinhada, criticou-me em determinados momentos, mas é o meu mandatário, sinal de que sei ouvir as críticas. O problema é a falta de projectos e de ideias, o problema é quando um determinado grupo de pessoas se reúne em torno de algo apenas por uma vontade revanchista. Apenas pela critica vazia de ideias. Isso é que é preocupante.

— Vários dos seus colaboradores mais próximos acusam-no de teimosia. É assim?

— Sou teimoso, mas sei ouvir e sei dar razão a quem a tem. O novo Estádio da Luz foi fruto da teimosia de alguns, entre os quais estava eu, mas foi essa teimosia que nos devolveu a nossa auto-estima. O centro de estágio foi igual. Agora, pergunta-me, nunca erra? Também erro, claro. Já errei várias vezes, mas sempre na convicção de que estava a fazer o melhor para o clube.

— Se for eleito para novo mandato será o presidente com mais anos consecutivos no poder. Que reflexão lhe merece?

— A única que se pode retirar desse facto, é a de que, depois de todos estes anos, continuo a merecer a confiança dos sócios e aumenta a minha responsabilidade perante eles! Nada mais do que isso.

— Que Benfica vê depois de ter dado várias voltas a Portugal pelas casas do clube?

— Uma das minhas prioridades, desde que cheguei à presidência do Benfica, foi valorizar as casas do Benfica, porque elas representam espaços onde se defendem os valores e a história do clube. Dessas várias visitas sinto que adeptos e sócios sentem um grande orgulho pelo clube que têm e uma grande ansiedade em relação às vitórias. Partilho dessa vontade!.

— Sendo o clube com mais associados do Mundo, porque não gera o Benfica receitas em consonância?

— Não concordo com a afirmação que faz. O Benfica esteve, há dois anos, na lista dos vinte maiores clubes europeus. Hoje já não estamos, mas a nível de merchandising continuamos a verificar que o Benfica está acima de muitos dos clubes que actualmente integram essa lista. E a nível de bilheteira sucede o mesmo. Portanto, diria que a principal diferença tem a ver com o valor dos direitos televisivos.

— Que planos de expansão tem para o Benfica em África?

— África é um mercado natural para Portugal e principalmente para o Benfica. Estamos naturalmente atentos a essa realidade. Os países lusófonos devem ser uma prioridade para nós. A Benfica TV, por exemplo, deve chegar a todos os países de expressão portuguesa. Aliás, o meu desejo é ver a Benfica TV, a médio prazo, em 30 países.

— Ao fim de seis anos na presidência, sente-se feliz por congregar os nomes que conseguiu na Comissão de Honra e no Mandatário da Candidatura?

— Os nomes que constituem a Comissão de Honra são, sem dúvida, um motivo de orgulho, porque são um sinal do reconhecimento em relação ao trabalho realizado. Gente da politica, do desporto, gente com convicções muito diferentes, mas que partilham da ideia de que sempre dei tudo por este clube. E isso para mim é motivo de natural satisfação.

— Está satisfeito com a formação e as modalidades, que obtiveram resultados positivos?

— Tenho orgulho não apenas nos resultados, mas principalmente porque contra a ideia de alguns sempre defendi a manutenção e o reforço de todas as modalidades. As pessoas que me rodeiam no Benfica sabem isso e não são só os resultados que interessa assinalar, mas também a gestão que foi implementada. Gastou-se menos, obtendo melhores resultados. Esse deve continuar a ser o caminho!

— O projecto olímpico é para continuar?

—Sem dúvida, é uma aposta para manter e, eventualmente, reforçar.

— As eleições de três de Julho tiram-lhe o sono?

— As eleições de dia três são um acto que responsabiliza todos os sócios do Benfica, porque o futuro passa por aí.

— Qual é, na sua óptica, o Benfica ideal? Pensa que pode lá chegar?

— O Benfica ideal é aquele que alia a modernidade aos resultados, aos títulos. E sei que vamos lá chegar. Já cumprimos metade, talvez um pouco mais, atendendo aos resultados que começamos a obter na formação, nas modalidades e até no futebol já fomos ganhando de forma intermitente. Temos de consolidar esse capítulo!

MENSAGEM A SÓCIOS, ADEPTOS E ATLETAS

— Que mensagem quer deixar aos sócios do Benfica?

— Uma mensagem de confiança e de optimismo no futuro. Nenhum clube do Mundo conseguiu fazer o que nós fizemos neste espaço de tempo. O Benfica, hoje, é um dos clubes mais modernos do Mundo e isso deve ser motivo de orgulho. Falta ganhar com regularidade, mas vamos faze-lo e completar o circulo que falta fechar.

— E aos atletas?

— Que têm de saber a responsabilidade que é vestir esta camisola. Saber que os sócios e adeptos esperam sempre cada vez mais deles e eles devem corresponder com o seu exemplo, com a sua entrega e dedicação.

— Como se sente, a poucos dias, tudo o indica, de iniciar terceiro mandato no Benfica?

— Nunca se ganha por antecipação, são os sócios que têm a palavra e são eles que devem decidir no próximo dia três.

— Quando estará pronta a comissão de serviço que se propôs realizar na Luz?

— O Benfica é um projecto que nunca se completa. Haverá sempre coisas por fazer. Mas não tenho dúvidas de que a parte mais difícil foi conseguida. Travámos o fim do Benfica, recuperámos o seu património e a sua credibilidade. Quando vai acabar a minha comissão de serviço? Para já depende dos sócios!

— Vai bater-se por jogos à tarde, na Luz?

— Foi uma promessa que fiz ao meu pai e que espero poder vir a cumpri-la, ainda que de forma parcial. Este ano tivemos — para a Taça da Liga — um jogo à tarde e foi uma festa de família. Os jogos à tarde possibilitam esse ambiente. Também sei que as televisões preferem que os jogos sejam transmitidos à noite por uma questão de audiência. Devemos caminhar para o equilíbrio.

— Das suas presidências, qual a equipa ideal?

— Todas as equipas directivas com quem trabalhei prestaram um excelente serviço. Individualizar uma seria um enorme acto de injustiça.

Entrevistas (I)


“A partir de 2013 os nossos jogos vão ser vistos na Benfica TV”

Fonte: Económico

Vieira clarifica os números do passivo, assegura que “a sustentabilidade do Grupo Benfica não está em risco” e recorda os investimentos feitos.
Luís Filipe Vieira candidata-se ao quarto mandato como presidente e vai ficar com os direitos televisivos na Benfica TV.
Os dados enviados à CMVM apontam para um passivo de 426 milhões de euros na SAD, enquanto no clube é da ordem dos 130 milhões. Mesmo levando em conta que os números do activo são elevados e a invulgar dimensão social do clube, a sustentabilidade do Benfica não está em risco?Não sou um especialista financeiro, mas, depois de tanta conversa sobre o passivo, acabei por ter de aprofundar esta matéria, uma coisa que pelos vistos não foi feita por quem devia. Os seus leitores que me desculpem entrar em pormenores técnicos que eles dominam, mas esta resposta é sobretudo para quem fala sem saber do que fala. De forma simplista, o passivo de qualquer empresa é sempre composto por 3 partes: o Passivo Exigível Financeiro que corresponde à dívida que é objecto de encargos financeiros, normalmente empréstimos; o Passível Exigível Não Financeiro sobretudo dívida a fornecedores e que no nosso caso está mais associado a compra de jogadores; e o Passivo Não Exigível, verbas registadas no Balanço mas que não são compromissos que a Sociedade tenha de liquidar. Por essa razão, vamos apenas falar do que é exigível. À data de 30 de Setembro, o Passivo Exigível Financeiro do Grupo Benfica são 237 milhões de euros. E o Passivo Exigível Não Financeiro do Grupo Benfica são cerca de 119 milhões de euros. Estas são as obrigações que o Benfica deve respeitar. E que estão relacionadas com os grandes investimentos realizados ao longo dos últimos 10 anos: o estádio, os pavilhões, as piscinas, o Caixa Futebol Campus, a Benfica TV, o Museu e sobretudo uma equipa de futebol que hoje ninguém, nem o candidato da lista B, é capaz de pôr em causa.
Como fica a sustentabilidade?A sustentabilidade do Grupo Benfica não está em risco, estava era quando Manuel Vilarinho pegou no Benfica e quando mais tarde me pediu para assumir a presidência. Nessa altura, havia passivo, muito, havia ainda dívidas que nunca tinham sido registadas e não havia qualquer activo, excepto o velho estádio, que como se sabe, não tinha condições para sustentar o futuro do clube. Hoje temos um activo próximo do passivo e sobretudo um cctivo que, por questões de prudência, não pode ser reconhecido no balanço, mas que tem a ver com o valor comercial dos nossos jogadores. Ou seja, o nosso activo real é superior ao passivo exigível e isso é o que nos garante o futuro. Admiti em determinada altura que o Dr. Rangel dizia o que dizia por desconhecimento, mas depois de constatar que a empresa que apoia a sua candidatura já lhe escreveu que o Passivo Financeiro é de 255 milhões, dados que não sendo verdadeiros não estão longe da realidade, e ele continua a insistir em 500 milhões ou 600 milhões, então aí a coisa já muda de figura. Passa a ser mentiroso e isso é tudo o que não precisamos no Benfica.
Que caminhos devem ser seguidos para reduzir o passivo?A nossa preocupação não tem tanto a ver com a redução do passivo, mas sobretudo com controlo desse passivo, numa base sustentável, e a aposta no crescimento do activo. Os sócios que pensem: será que o passivo da PT, da Galp ou da EDP é muito? Eles não sabem, o que sabem é que, por muito grande que seja, os activos são sempre superiores. E assim se gere uma empresa. O nosso passivo foi sobretudo consequência de duas coisas: os investimentos que quisemos realizar, aqueles que já referi anteriormente, e as dívidas que herdámos e que tivemos de liquidar, fruto da gestão mais gravosa da história do Benfica. Parece que se quer passar um pano sobre a irresponsabilidade criminosa que levou à eleição e permanência de Vale e Azevedo. Não podem, não devem e não permitiremos que o passado seja apagado. O importante é garantirmos que o aumento das receitas é mais rápido e que em breve estaremos com uma situação positiva em termos de resultados e geração de cash. Basta ver a evolução dos números e constatará que, se tivéssemos aceite a proposta de direitos televisivos, os resultados já seriam positivos há algum tempo. E, se temos um mau contrato de direitos televisivos, isso deve-se a quem rasgou o contrato no período de Vale e Azevedo. A consequência foi alguém ter ficado com o poder de exigir a falência do clube e nós, que entretanto aqui chegámos, termos sido obrigados a sujeitar o Benfica a um mau acordo.
Federação e Liga estão de acordo para que avance a centralização dos direitos televisivos: em que medida pode isso interferir nos planos do clube para a negociação dos seus direitos?Entendemos que a Liga está a avançar com a denúncia dos contratos assinados entre a Olivedesportos e os clubes. Foi algo que nunca fizemos pois entendemos que os contratos são para se cumprir. Demorámos 10 anos a aqui chegar, 10 anos onde tivemos de suportar os custos dos actos irresponsáveis da gestão de Vale e Azevedo. Negociámos com Pais do Amaral sem resultados. Iniciámos negociações com a Olivedesportos, não houve acordo e, a partir de um estudo da Eurogrup de 14 de Julho, que concluiu sobre quais os cenários a equacionar, tanto do ponto de vista estratégico como financeiro, a conclusão é que, a partir de 2013, os nossos jogos vão ser vistos na Benfica TV.
Fez um discurso de austeridade, apontando para a redução da massa salarial no clube. Quais são as medidas que estão a ser adoptadas nesse sentido?Nesta altura, não quero estar a entrar em demasiados detalhes sobre a forma como esse processo vai ocorrer. Temos vindo a evoluir numa perspectiva de parte das remunerações serem pagas em função de objectivos. Por exemplo, para todos os que hoje estão na estrutura do futebol, a remuneração só cresce se for acompanhada de um bom resultado desportivo do Benfica que, em última instância, se traduza num aumento dos proveitos da SAD. A passagem nas distintas fases da Champinos permite aos jogadores irem buscar mais dinheiro, mas, se alguma coisa falha, a SAD está protegida no controlo de custos.
Como avalia o seu rival e a respectiva lista?São benfiquistas, pelo menos aqueles que estão nas listas. São pessoas cujos méritos e deméritos profissionais e pessoais conheço, pelo menos de parte delas. Alguns estiveram cá com Vale e Azevedo. Prefiro não falar delas. Outras estiveram comigo e com Manuel Vilarinho. Poderia elencar o que cada um deixou no Benfica. Mas talvez seja melhor serem eles a dizer o que cá deixaram. Por mim, prefiro abordar outras questões: qual a experiência de gestão do candidato a presidente? Quantas vezes se reuniram para preparar um projecto para o Benfica? Conversaram com os parceiros financeiros? Alguma vez geriram uma empresa que factura quase 150 milhões de euros? Sentem-se sinceramente preparados para pegar no Benfica? Como pensam resolver a questão de não poderem ser remunerados? Vão viver de quê? Pelo menos era bom que o candidato Rangel respondesse a esta última pergunta... Um dos candidatos a vice-presidente dizia uma semana antes do prazo limite para apresentação das candidaturas que não havia tempo para preparar alternativa.
É verdade, como diz Rui Rangel, que o Benfica tem 95 jogadores sob contratoÉ falso. Como é falso que o Passivo financeiro seja de 500 milhões. Como é falso dizer que não se sabe quanto é o resto do Passivo. O que tenho ouvido revela uma de duas coisas; ou vontade de enganar os Benfiquistas, e não quero acreditar que assim seja, ou muita falta de preparação na abordagem à realidade do Benfica. Mas como tudo isto já foi corrigido e Rui Rangel continua a mentir, então é porque é algo compulsivo nele e isso é perigoso. O Benfica tem duas equipas profissionais, a Equipa A e a Equipa B. Só isso já justificaria um razoável número de jogadores, perto de 50. Mas, mais importante, fruto do trabalho desenvolvido na formação, o Benfica tem vindo a assinar contratos profissionais com vários jovens formados por nós, o que justifica mais umas dezenas de contratos profissionais. Ainda assim, não temos 95 jogadores... temos 79, dos quais 22 oriundos da formação e mais 25 com menos de 22 anos, muitos deles sob empréstimo, como já sucedeu com Fábio Coentrão, Melgarejo ou Enzo Pérez.
Que valores pagou o Benfica a empresários em comissões?Esses valores encontram-se disponíveis em todos os Relatórios e Contas. Não entendo como é que falam tanto sem consultar a informação que é disponibilizada ao mercado.
Por que razão passou Rui Costa a desempenhar um papel tão discreto na estrutura do futebol?O Rui Costa tem desenvolvido o trabalho que lhe pedi. É responsável por uma estrutura que tem um papel estratégico nesta casa. E tem-no feito longe dos holofotes, como deve ser.
A criação das equipas B vai permitir ao Benfica retomar, pelo menos em parte, a tradição de ter mais jogadores portugueses na equipa principal?É um meio importante, mas os melhores resultados possíveis nesta matéria são fruto do investimento na formação. Temos hoje mais de 300 jovens nos escalões de formação e só temos 4 estrangeiros. A equipa B permite-nos dar espaço aos melhores para evoluírem e para atingirem a equipa principal. O André Almeida, o André Gomes, o Luís Martins e o João Cancelo são todos portugueses, jogam na equipa B e são chamados regularmente à equipa A.
Di María, Ramires, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Witsel são exemplos de bons negócios nas últimas épocas. A necessidade de realizar mais-valias com transferências e o equilíbrio do plantel têm sido assegurados nos seus mandatos?O Benfica não tinha a capacidade dos grandes clubes europeus para gerar receitas que lhe permitissem ter um plantel capaz de competir contra os colossos europeus. Sobretudo pela dimensão comercial do mercado português e pelos baixos valores associados aos direitos televisivos. Para não perdermos competitividade, entendi desenvolver a estratégia de comprar jogadores de elevado potencial cedo, e com investimento mais controlado. Se o jogador for bom, pode render desportivamente durante algum tempo e financeiramente no momento adequado. Se não for, o risco é limitado. Creio que, pegando nos seus exemplos, é possível confirmar que a estratégia seguida tem sido a correcta.
Não é contraproducente emprestar Nélson Oliveira ao Corunha numa fase de plena afirmação na equipa principal do Benfica?Não creio. Essa avaliação é feita pela estrutura do Futebol Profissional, onde o treinador tem assento. No caso do Nélson, era fundamental que estivesse numa equipa com as características do Corunha e num campeonato competitivo como o espanhol. Já tínhamos feito algo parecido com o Fábio Coentrão e resultou. Acreditamos muito no Nélson e estou certo que em breve estará a dar grandes alegrias ao Benfica.
Desde a saída de Coentrão, o Benfica não encontrou um lateral-esquerdo que assegure competitividade: porquê?Vamos começar pela sua afirmação. O Fábio Coentrão não era lateral esquerdo. Foi o Jorge Jesus que viu nele o potencial para evoluir até onde evoluiu. O mesmo se passa com o Melgarejo. O Técnico acredita que ele tem todas as condições para ser um dos melhores laterais esquerdos do Mundo. E foi dele a decisão de apostar em primeiro lugar neste jovem. Falta dizer que temos na equipa mais dois laterais que podem fazer este lugar, um dos quais oriundo do Futebol Formação.
Jorge Jesus está na última época de contrato. Tem planos para renovar ou está dependente do desempenho nesta temporada?Jorge Jesus tem dado muito ao Benfica. Nunca até hoje me arrependi da decisão de o trazer para cá. Não quero antecipar a minha decisão, até porque terei de ouvir os outros membros do Conselho de Administração. E vai compreender que depois de tomada a decisão, vou primeiro falar com ele e só depois com a comunicação social.
Reconhece que ser campeão duas vezes, em nove anos sob a sua liderança, é um desempenho escasso?Reconheço que todos os benfiquistas querem mais, mas não há nenhum benfiquista que queira ser campeão mais do que eu. De qualquer forma, sempre disse o que iria fazer: primeiro apostar na recuperação da credibilidade, depois construir as infra-estruturas necessárias para o sucesso desportivo e finalmente construir uma equipa capaz de voltar a dar grandes alegrias aos benfiquistas. Disse que o último mandato seria o da aposta desportiva e, apesar de só termos conquistado um campeonato em três, fomos 3 vezes à Liga dos Campeões, estivemos duas vezes nos quartos de final de uma competição europeia e uma vez numa meia final e ganhámos 3 taças da Liga, Isto para não falar no sucesso do Futebol Formação e das Modalidades. Neste momento, estamos em primeiro lugar do Campeonato. Veja a história dos mandatos das últimas duas décadas e verificará que nesses mais de 20 anos, o Benfica nunca tinha tido estes resultados. É escasso? Depende da perspectiva, é se compararmos com a nossa história de há 50 e 40 anos, mas é muito, se compararmos com os últimos 20 anos. E digo-lhe que acredito que estamos na tendência certa, cada época será melhor que a anterior.
O Benfica não vai ter dificuldades para cumprir as regras do fair-play financeiro estabelecidas pela UEFA?Não. Temos participado nos grupos de trabalho com a UEFA e sabemos que temos todas as condições para cumprir o Fair Play Financeiro. Não se esqueça que uma parte significativa dos nossos custos estão associados com as infra-estruturas e com a Formação. E esses custos não são considerados quando se analisam os clubes para efeitos dos fair-play financeiro. Acresce que o incremento das receitas televisivas vai permitir equilibrar a nossa conta de resultados.
Já admitiu que se arrepende de ter despedido Fernando Santos: há alguma outra decisão de que se arrependa? Qual ou quais?Arrependo-me de por vezes confiar demasiadamente em certas pessoas que acabam por não o merecer. São ossos do ofício, mas acho que já não vou mudar. E hoje, posso dar-me por satisfeito de ter uma equipa que trabalha comigo de elevado gabarito. São os melhores.
Alguma modalidade (andebol, hóquei em patins, atletismo, basquetebol, voleibol, triatlo ou outra) corre o risco de sofrer cortes ou de ser extinta?Não, vamos manter os investimentos como até agora. O que não quero é lançar modalidades, novas ou antigas que não sejam auto-sustentáveis. E a recente propaganda sobre o relançamento do ciclismo é um excelente exemplo do que não se deve fazer. Já o tentámos, com a pessoa que hoje está mais empenhada na Lista B, e foi um rotundo fracasso. Perdeu-se dinheiro e não se ganhou na estrada.
Considera que a estratégia seguida em relação ao sector da arbitragem é a mais indicada?Nós não queremos ter uma estratégia para a arbitragem. O que precisamos é que nenhum clube tenha estratégias para a arbitragem. Tem sido difícil combater velhos hábitos, mas acredito que haverá condições para termos uma nova mentalidade, onde o que ganha é o melhor e não aquele que melhor se mexe em meandros obscuros. Caso não consiga mudar essas práticas, denunciarei as mesmas onde for necessário.
Se fosse hoje, voltaria a apoiar Fernando Gomes e Vítor Pereira?Hoje, não deixo de exigir que todos os intervenientes no desporto, e em especial no Futebol, sejam eles governativos, federativos, da Liga ou das Associações, sejam responsáveis e responsabilizados pela evolução do sector, no seu todo, e também na arbitragem. Não descansarei enquanto não tivermos um futebol limpo. E se entender que há responsáveis que não são capazes de o assegurar, tirarei as devidas ilações e actuarei em conformidade.
O herdeiro de Manuel VilarinhoLuís Filipe Vieira, de 63 anos, é empresário (pneus e construção civil) e chegou ao Benfica depois de ter liderado o Alverca, assumindo o cargo de director para o futebol em 2001, numa altura em que a liderança pertencia a Manuel Vilarinho. Eleito presidente a 3 de Novembro de 2003, prosseguiu o trabalho do anterior líder para a reorganização do Benfica, cuidou da construção do novo estádio e do centro de estágio, sendo duas vezes reeleito. Sob o seu comando, o clube da Luz foi duas vezes campeão, venceu uma Taça, uma Supertaça e quatro Taças da Liga.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Preso por ter cão....blá..blá

Há uma semana eram atacados por não falarem, agora são atacados por cada um dar a sua entrevista.

Três boa entrevistas, falta Luís Filipe Vieira.

Perguntas que não devem faltar:
- Jesus é o técnico para a próxima época?
- Como fica o dossier transmissões televisivas?
- Passivo bancário de curto prazo (1 ano). quanto é? vai ser renegociado? Está preocupado?
- Passivo bancário global tem vindo a aumentar ou a diminuir?
- Naming do estádio em que pé está?
- Naming das bancadas cujo contrato acaba em 2013. Qual a previsão de aumento ou descida de  receitas?
- Continua a apoiar Fernando Gomes? Foi um erro?
- Depois do castigo a Aimar continua a confiar na isenção do Conselho de Justiça e Conselho de Disciplina?
- O Benfica, na presidência de António Salvador, é sempre mal recebido em Braga. Speaker hostil, musica de tourada, quebras de luz, falta de agua quente nos balneários. Porquê o empréstimo de Ruben Amorim ao Braga? Porquê os estágios em unidades hoteleiras do presidente do Braga?
- Qual a data de conclusão do Museu?
- Em termos práticos: qual o papel de Rui Costa no Benfica? As suas competências foram esvaziadas por António Carraça?
- Quem era o "bufo" que permitiu a antecipação do clube da fruta nos casos  James Rodrigues e Álvaro Pereira?
- Qual a estratégia do Benfica para garantir a idoneidade do Tribunal Arbitral do Desporto?
- Pode explicar os "dois jogadores do Atletico de Madrid" previstos na transferência de Simão Sabrosa?
- Quanto recebeu o Benfica da transferência de Reyes para o Sevilha?
- No contexto de crise actual, 70 jogadores sob contrato não é um exagero?
- Quanto custou Rodrigo? Quanto custou Alipio? O Real tem actualmente algum direito especial sobre os jogadores?
- Para quando Benfica TV em Angola e Moçambique?
- O Cartão de Sócio tem assistido a uma estagnação nos benefícios. Estão previstos novos acordos? Algum no retalho?
- Estava previsto a Sagres patrocinar por 10 anos as modalidades amadoras. O que aconteceu?
- O projecto  "Praça dos Herois" está atrasado?



PS: Mais tarde, no fim das épocas das modalidades, também aguardo pela entrevista de Carlos Lisboa;

domingo, 12 de fevereiro de 2012

É mau? Não é tão mau assim.....diria mesmo que é bom.

-Negócio Rodrigo (foi bastante criticado);
-Negocio Fábio Coentrão (foi bastante criticado);
-A venda do Roberto (considerado como muito o 4º milagre de Fátima; que azia provocou nos tripeiros adoradores dos negócios PC)
-A vinda do "Messias" e a sua manutenção;
-Manter jogadores por mais de 3-4 anos de maneira a transportarem a mistica do clube (Luisão, Aimar, Maxi, Cardozo, Javi, David Luiz, Simão, etc);
-Lançamento da Benfica TV e sua expansão para vários paises;
-Inovação no Naming das Bancadas;
-Record de sócios do Guiness, prestes a atingir os 250 mil sócios;
-Entrada no top da Futebol Maney League da Delloite sem receitas de Televisão expressivas ao contrário de todos os outros clubes do top (20º em 2007, 26º em 2011, 21º em 2012);
-Recuperação das modalidades a nivel desportivo e economico (quem não se lembra dos anos que não tinhamos patrocinador em varias modalidades?)
-Centro de estágios, com a inovação do Naming e escolha do nome por parte dos adeptos através de votação;
-Complexo desportivo da Luz: Estádio, Piscinas, 2 pavilhões, Zona Comercial com dinamização e actividade comercial pujante.
-Museu (já conto como garantida a conclusão neste mandato) e catalogação e recuperação de todo o expólio da história do Benfica;
-Recuperação da credibilidade junto da banca, essencial para qualquer acto de gestão de um clube;
-Todos anos a Marca Benfica é considerada uma Superbrand;
-Cartão de sócio com descontos associados, mais uma inovação a nivel de clubes em Portugal;
-Site do clube gerido por uma entidade não controlada pela Controlinvest;
-Pressão para que o apito dourado desse alguma credibilização no futebol português; Nunca mais a imagem do Porto vai ser dissociada da corrupção desportiva, uma nódoa que não têm solução;
-O voo da águia; o lugar de ouro; as múltiplas facilidades na compra de bilhetes e pagamentos; o departamento de sócios que resolve problemas e realmente ouve os sócios
-Integrar glórias do Benfica na estrutura do Benfica (Rui Costa, o grande Chalana e Nene)

Agora podem falar mal do homem.....