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terça-feira, 26 de abril de 2011

Taça de Portugal - Análise da arbitragem

 

Primeiro beneficia-se o sistema e depois equilibra-se para calar os protestos.

Sequência dos acontecimentos:

  • Rolando nem sequer se devia ter equipado pois devia ter sido expulso no jogo anterior contra o Sporting.

  • min 64 - Golo de Moutinho

  • min 67 - Rodriguez devia ter sido expulso

  • min 72 - Golo em Fora de jogo de Hulk

  • min 80 - Golo em penalty inexistente a favor do Benfica

  • min 89 - Coentrão leva amarelo, mas devia ter sido expulso por encostar a cabeça ao arbitro (influências do belushi certamente)

Até o jornal o jogo,  confirma o roubo:

"O Tribunal de O JOGO


Muitos erros e sem "ajuda" dos jogadores Carlos Xistra não conseguiu segurar o jogo, muito quezilento, por culpa dos jogadores que entraram decididos em manter a rivalidade à flor da pele, à imagem do que se tem repetido fora dos relvados. Errou no lance que ditou a igualdade na eliminatória, voltou a errar no penálti a favor do Benfica e errou nos cartões a Cristian Rodríguez (primeiro errado e segundo ficou por mostrar), entre outros lances mal ajuizados...

Momento mais complicado


72'
Hulk estava em fora-de-jogo na jogada do segundo golo do FC Porto?


Jorge Coroado
-
Hulk estava realmente adiantado no momento em que o passe foi efectuado. Posição visível mesmo sem recurso a linhas imaginárias, não detectada pelo árbitro assistente por se encontrar ligeiramente atrasado.

Pedro Henriques
-
Hulk, no momento em que a bola lhe é passada, está adiantado em relação ao penúltimo adversário. Fora-de-jogo ficou por assinalar.

Paulo Paraty
-
A tecnologia garante-nos o que para o assistente foi uma dúvida. Há uma falha. Por ter vários jogadores à frente o assistente não terá visto a bola partir e optou (mal) por não interferir no jogo.

Outros casos


22'
Há intencionalidade de Luisão em agredir Otamendi no momento em que faz o corte?

67'
Tesoura de Cristian Rodríguez a Maxi Pereira justificava cartão amarelo... e expulsão?

80'
Há penálti de Sapunaru sobre Saviola?

84'
O choque entre Hulk e Jardel na área do Benfica, considerado simulação, foi bem ajuizado?

Jorge Coroado

-
Luisão saltou lateralizado, afastou a perna esquerda e baixou a biqueira do pé para o relvado, em visível movimento para atingir o adversário. Grande penalidade e cartão vermelho por exibir.

-
Rodríguez foi intempestivo e imprudente no modo como abordou o lance, justificando cartão amarelo. Era o segundo, seguido de expulsão.

-
Não houve infracção de Sapunaru sobre Saviola. Foi este que saltou e projectou o pé para trás, fazendo jogo perigoso e acabou por desequilibrar-se.

-
Jardel ganhou posição, protegeu a bola, e o contacto deu-se de forma natural. Nem simulação nem grande penalidade. Amarelo não se adequava.

Pedro Henriques

+
Luisão, depois de chutar a bola para fora, e por acção do movimento, acaba por tocar no rosto de Otamendi com o pé esquerdo, de forma casual e fortuita.

-
Sim. Rodríguez entra em tackling sobre Maxi Pereira de forma imprudente, sem ter em conta o perigo e as consequências do seu acto. Segundo amarelo ficou por mostrar.

-
Não. Antes de Sapunaru pontapear Saviola, este domina a bola com o braço direito. Não houve grande penalidade, mas sim livre para o FC Porto.

-
Hulk choca com Jardel que tinha ganho a posição. Não há motivo para grande penalidade e não houve simulação.

Paulo Paraty

+
Não creio. Parece uma boa decisão. Luisão corta a bola com o pé direito, mas a sua impetuosidade provoca o choque com a cabeça de Otamendi.

-
Aceitar-se-ia o segundo amarelo. Mas o primeiro a Cristian Rodríguez terá sido exagerado. Poderíamos falar de mais situações de cartões amarelos que terão sido, bem ou mal, exibidos.

-
Falha do árbitro que numa posição deficiente interpreta como sendo mão de Sapunaru um movimento inusitado de Saviola, que, ele sim, desvia a bola.

-
Hulk não simula. Se o cartão amarelo é exibido por simulação não se justifica. Esteve bem Carlos Xistra em não marcar penálti, pois Jardel apenas ganha a posição.

Apreciação global

Jorge Coroado

Num jogo de muito contacto físico, foi notória a dificuldade do árbitro em discernir o certo do incerto. Parafraseando Souness, faltaram-lhe "big balls" para conseguir prestação condizente com as exigências do jogo.

Pedro Henriques

Carlos Xistra é um árbitro com qualidade que, neste jogo, entre muitas e boas decisões, acabou por cometer erros com influência no decorrer do jogo.

Paulo Paraty

Falhas em lances e momentos importantes. Os muitos cartões exibidos não ajudaram ao estabelecimento de um bom critério disciplinar. Terá ficado abaixo do que se propuseram, mas ninguém se poderá desculpar."

domingo, 24 de abril de 2011

Liga Europa - Análise ao Braga

"
O actual processo de crescimento do Braga tem a duração de dez jogos (6 na Liga, 4 na Europa). O suficiente para saltar de 8ª para 3º lugar e atingir a meia-final da Liga Europa. Domingos apontou o jogo com o Benfica como o momento da viragem. Os resultados confirmam-no. No jogo, esse processo de transformação traduz uma solidificação de rotinas nos diferentes sectores e ligação entre eles. Uma equação táctica que, revendo esse ciclo de jogos, apenas identifica uma posição (dentro do habitual 4x2x3x1) susceptível de mutação: o médio-centro ofensivo de segunda linha.
A composição da defesa tem oscilado (lesões, saídas, castigos), mas a ideia está estabilizada (Na direita, com Miguel Garcia expondo menos as costas na recuperação; no centro, decisivo o crescimento de Paulão). No ataque, fixou Lima, remate e apoios, permitindo a Alan e Paulo César ora aguentar e centrar, ora ir para dentro e romper.
 
Está mais forte na transição defensiva (importante a capacidade dos alas baixar quando se perde a posse) reorganizando-se rapidamente atrás da linha da bola. Não tem dilemas morais em assumir um bloco-baixo em organização defensiva. Mudou um pouco a saída da transição ofensiva, menos apoiada do que no passado, agora mais em profundidade, metendo a bola nos alas.
A base táctica que lhe dá consistência está, porém, a meio-campo, agora com mais certezas do que duvidas. No duplo-pivot, Custódio cresceu na posição na medida em que menos sai dela. Deixou de ter a tentação de ir dobrar ou ajudar (para fazer superioridade zonal) o lateral nas alas. Tem colmatado bem as ausências de Vandinho. Viana, embora seja estruturalmente um jogador a diesel, dá-lhe o argumento do passe longo. É o único totalista posicional do sector nos tais dez jogos.
 
Desta equação do duplo-pivot saiu Salino, o mais forte a fazer transição em posse (estratégia que a equipa deixou de contemplar pelo centro), para surgir na tal única posição mutável do vértice ofensivo do triângulo do meio-campo. Três opções: Salino, Mossoró e Paulo César. Uma alteração que, por si só, muda o processo ofensivo (mais ruptura ou maior temporização).
Salino surgiu nessa posição nos jogos em que se previa maior pressão adversária (Liverpool, fora, e Kiev, fora e casa). A intenção era ter o sector (seus elementos) mais juntos, linhas próximas, ocupando espaços e, recuperada a posse, apostar na saída individual do mais veloz. Paulo César é o avançado tacticamente mais culto na temporização. Sabe gerir ritmos ofensivos e depois variar o 4x2x3x1 para 4x4x2 aproximando-se do ponta-de-lança. Foi o que fez contra Rio Ave, Olhanense e Beira-Mar. Mossoró surge quando o jogo fica mais anárquico ofensivamente e pede um 10 solto a surgir onde entra a bola, tabelar com alas e entrar de trás.
 
A frase pode parecer estranha mas, no fundo, o Braga tornou-se hoje, no campeonato, na equipa que melhor faz aquilo que…sabe fazer. Ou seja, entendeu os limites das suas capacidades e identificou a dimensão certa das suas qualidades.
" retirado do site do Luis Freitas Lobo, Planeta do Futebol